quinta-feira, julho 13, 2006

Uma aventura fresca numa noite quente de verão – parte I

Acordei a meio da noite com o que me pareceu ser um tremor de terra na cozinha... levantei-me e fui ver o que era. Numa qualquer troca de identidades de electrodomésticos o meu frigorífico estava a entrar numa fase de centrifugação própria das máquinas de lavar roupa. Ainda não é altura para pedires reforma – disse-lhe eu enquanto lhe abria a porta para tentar perceber o que se passava. Cá fora estava um calor terrível por isso, não é totalmente de estranhar que não tenha oferecido resistência àquela força fresca que me puxou para o seu interior. Num segundo senti, primeiro o peito, depois a cabeça e braços e por último as pernas, a serem puxadas e reduzidas a 7% do seu tamanho normal. Tinha poucos centímetros de altura e estava na prateleira de cima do meu frigorífico.
Rodeada por pacotes de iogurte e algumas tupperwares com os restos das refeições do dia anterior, fiquei por ali até perceber que vinha música da prateleira debaixo. Estranho? Curiosa, comecei logo a pensar na melhor forma de descer. Ainda estava a uma altura grande, para o meu tamanho e uma queda dali de cima poderia ser violenta. Deitei-me de barriga para baixo e, por brincadeira deixei os braços caírem naquela direcção...qual não foi o meu espanto ao vê-los esticarem e esticarem e esticarem até às minhas mãos sentirem que podiam agarrar bem agarrada aquela prateleira distante. Com um impulso...upa...já lá estava, bem no meio de uma plateia de legumes que, satisfeitos, assistiam à actuação de duas beringelas acompanhadas por uma courgete e alguns cogumelos. Cantavam .."when you’re smiling...the whole world smiles with you...pana nana nã .." uauuu...conhecia bem o tema e comecei logo a dar à perna. De repente, o palco foi invadido por uma big band de ovos à altura das que se faziam ouvir nos anos 20/30 e eu não resisti a dar uns saltinhos de dança que me fizeram levitar como se por magia a gravidade tivesse perdido a força. Ah!! Que fixe! Dei umas cambalhotas e umas piruetas e no ar e fui aterrar bem na prateleira do fundo do frigorífico. Levei algum tempo a perder o sorriso e a perceber que aí o ambiente era completamente diferente. Um tomate tinha morrido e uma alface, algumas cenouras e muitos amigos tomates choravam algumas lágrimas. Olharam para mim como se me culpassem da inutilidade daquela morte e eu fiquei paralisada, com um mau pressentimento. Começaram a avançar na minha direcção com cara de legumes poucos amigos e o meu coração disparou de medo...

a ser continuado...

5 Comments:

Anonymous primo do adamastor said...

que bela aventura

2:32 da tarde  
Anonymous sandokan said...

o que eu preciso agora é mesmo de um frigorifico como o teu.

4:16 da tarde  
Anonymous le_roi said...

ah!.........

10:38 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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11:18 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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7:53 da tarde  

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