quinta-feira, março 23, 2006

O ESTADO DA ARTE ou A ARTE DO ESTADO?

Quem assiste na SIC NOTÍCIAS á recente rubrica quinzenal do Dr. Paulo Portas, para além de ter possibilidades de assistir a uma dramática sessão de luta entre a tentação do tempo de antena (o discursar olhos nos olhos com a camara, ou seja nós) e a necessidade de se limitar a um ameno diálogo com a entrevistadora/moderadora, tem que se confrontar com uma dúvida.

Afinal qual é a arte de que se analisa o estado?

É a arte no sentido de uma qualquer forma de expressão artística, por exemplo o cinema que parece ser tanto do agrado do sr. Dr., ou é a arte da política e sua administração, designadamente no caso do protagonista deste programa, a administração de um hiato na sua exposição mediática, que seria uma longa travessia do deserto, se não fosse esta oportunidade?

Contráriamente ao que suponha (provavelmente má interpretação minha), assisto a um exercicio de oratória, através do qual são enviados recados, tanto para fora como para dentro do seu próprio partido, ao mesmo tempo que nos vai lembrando quanto inteligente, brilhante, beatífico, e modesto ele é (no último programa deve-se ter autocitado pelo menos 4 vezes), após o que não resisto a pensar que está a decorrer uma espécie de campeonato de reservas políticas vindas todas as áreas políticas e cujos estádios são as estações de TV.